quarta-feira, 20 de maio de 2009

sobre pontes e distâncias.

[imagem: devianart]

Talvez as certezas sejam o que há de mais abstrato. Prefiro algumas tempestades, um barco em alto mar, com frio na barriga e vontades pulsando dentro do peito. E nesses altos e baixos, nas ondas que vão e vem, a gente senta na beira da praia, molha os pés e escuta o som que vem lá de dentro, de longe. É lá que a gente começa a perceber que a gente é tão pequeno e precisa de tão pouco. É lá que nascem as pérolas. E nesse tempo, que é presente, a gente vai construindo pontes entre os nós, com a esperança de um dia chegar, por mais que a chuva não deixe perceber o que está do outro lado. E eu continuo aqui, não querendo desistir das tempestades, navegando pelos teus rios silenciosos.

"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada." - Caio F.

4 comentários:

glória disse...

esse dueto com o caio F. é tão hrmoniosamente tenso, cheio de fagulhas de fogo e inspiraçào. eu também me movo entre tempestades, movimento de sentimentos intensos que nos levam ao sabos dos ventos....bjs

Alexandre Grecco disse...

Nossa, melhorou meu dia ver alguém lembrando Caio fernando Abreu, que há muito não leio e não sinto!

Vou revisitando minha biblioteca e lembrando uma passagem:

"Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora."

Besos moça...

R.Vinicius disse...

Faz tempo que não a leio. Não sei se lembra de mim. Como estás? Gostei do post e concordo que há muita harmonia entre suas linhas e a de Caio F. Preciso por a leitura em dia.

Abraço,

R.Vinicius

Mônica. disse...

Glória...Caio tem sido um bom companheiro esses dias...

Alexandre. Gostei do trecho! Seja bem vindo! :)


Vinícius! Lembro sim! Saudade também de seus escritos!